terça-feira, 29 de setembro de 2009

CANCIONEIRO DE MAMPATÁ (2)


Caros camaradas


Mais um famoso verso do nosso camarada Edmundo.


" OS MORCEGOS"

Aqui não temos parança
andamos sempre alinhar
uns a fazer segurança
e outros a patrulhar

Só nos resta a esperança
de um dia poder voltar
Ai! uma vida pior
do que esta não há
chamamo-mos os MORCEGOS
mas ai, vejam lá
a malta só nos conhece
pelos COIRÕES de Mampatá

Todos os dias há saidas
com o perigo sempre a rondar
são poucas as alegrias
e muito para contar
não há lugar p,ra sossego
é a vida de um MORCEGO

Edmundo Soares
Guiné 1969

Até breve


Mário Pinto

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

CANCIONEIRO DE MAMPATÁ (1)


Caros camaradas


O nosso camarada Edmundo enviou mais versos para enriquecer o nosso Cancioneiro.


Lembram-se desta?


"ESTOU FARTO DELES TIREM-ME DAQUI"


Tenho corrido"manga" de estradas
que em tão má hora eu conheci
tenho caido em emboscadas
Estou farto deles tirem-me daqui

Noites no mato debaixo de água
são realidades que eu já vivi
tenho a alma cheia de mágoa
Estou farto deles tirem-me daqui

Muita fominha tenho passado
por causa dela me ressenti
tenho o corpito todo enfezado
Estou farto deles tirem-me daqui

Edmundo Santos
Guiné 1969

Gostaram Coirões?.
Depois há mais

Um abraço


Mário Pinto

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

CANCIONEIRO DE MAMPATÁ


Caros camaradas


Recebi do nosso camarada Furriel Edmundo, o nosso Fadista e Poeta os seguintes versos por todos nós conhecidos e cantados em tempos do antigamente.




FADO DA METRALHA


De pica na mão
lá ia a maralha
com toda a metralha
de olhos no chão
para não haver falha
piquem bem o trilho
tomem atenção
sou de opinião
que se houver fornilho
ai que Deus nos valha

E naquela estrada
junto ao cruzamento
as dores que me deste
mais uma emboscada
no meu pensamento
nessa mata agreste
e os bombardeiros
fiéis companheiros
em qualquer momento
iam atacando
e "turras"matando
sem dó nem lamento

Adeus Mampatá
quero-te esquecer
fizeste sofrer
quem andou por cá
pronto a combater
ó maldita terra
onde nada há
e digo-te já
que toda esta guerra
foi dura a valer


Então pessoal, Lembram-se? Agradeçam ao Edmundo.


Até breve


Mário Pinto



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

OS NOSSOS CRIPTOS


Caros camaradas


Os nossos operadores de cripto eram os 1.os Cabos José Albino Ramos e Vitor Manuel Lapa Delgado, eram os Top Secret da Companhia.


Eles decifravam e cifravam todas as mensagens de caracter classificadas com grau de segurança, desde: Reservado, Confidencial, Secreto ou Muito Secreto.

Tinham uma vida reservada pois não podiam abandonar o seu local de mensagens, nem a sua divulgação de serviço.

Viveram com os Morcegos todos os maus e bons momentos e nem por serem discretos deixaram de ser também COIRÕES.

Ao Vitor Delgado e ao José Ramos aqui fica a nossa citação a estes camaradas.


Até breve

Mário Pinto

domingo, 13 de setembro de 2009

MAMPATÁ- POPULAÇÃO E SEU MODO DE VIDA


Caros Camaradas


Gostaria de vos descrever algumas considerações sobre a população de Mampatá que encontrei na nossa História da Unidade.


POPULAÇÃO CIVIL


1) Genaralidades:


A população vive agrupada no local do Aquartelamento das NT, apoiadas nas condições de
segurança que estas lhes proporcionam.

2) Aspecto Humano:

a) População - Cerca de 350 habitantas

b) Grupos Étnicos - O Grupo étnico mais importante e numeroso é o dos "FULAS", "FUTA
FULAS", "FULAS FORRO" e "FULAS CATIVOS". A étnia "BALANTA" existe em menor
quantidade.

c) Dialectos - Os dialectos falados são correspondentes às respectivas étnias, e ainda existindo

o "MARABU" que, sendo no entanto quase exclusivamente linguagem escrita, está tambem
muito divulgada. De um modo geral os nativos falam um pouco creoulo e o português.

d) Religião- A religião mais difundida e aceite é a Islâmica.

3) Aspectos Económicos


A economia da região é manifestamente insufeciente mesmo para a precária subsistencia.
Devido à actividade do IN, restam para cultivo das populações pequenas zonas próximas do
Aquartelamento das NT, de rendimento bastante limitado. Mesmo nestas zonas as populações
têm uma certa relutância em cultivar, cientesde que o estado de paratização em relação às
NT lhes é muitomais rentável e cómodo. De qualquer modo, são cultivadas pequenas
extenções de terreno apenas para subsistencia precária dos seus possuidores.
A utilização das mulheres como lavadeiras e o rudimentar comércio são-lhe muito mais
rentáveis e cómodos do que um trabalho exaustivo no cultivo das bolanhas e outros terrenos.

4) Conclusões:

Do exposto é de realçar que grande parte da população apoia as NT, mais por motivos
económicos, de assistência e protecção do que propriamente por profunda convicção
ideológica.

Nota: Estes dados foram retirados da História da Unidade

Até breve

Mário Pinto



sábado, 12 de setembro de 2009

QUEM MATOU AMILCAR CABRAL


Caros camaradas


Todos ouvimos falar nesta personalidade, Amilcar Cabral fundador do PAIGC., morto em circunstancias trágicas ainda hoje por apurar quem o mandou matar.


Amilcar Cabral, nasceu em Bafatá, Guiné-Bissau, a 12 de Setembro de 1924, filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora, foi poeta e agrónomo e um dos grandes lideres dos movimentos Africanos.


Foi assassinado a 24 de janeiro de 1973, na presença de sua mulher, Ana Maria em Conakry.


O autor dos disparos foi Inocencio Kani, com a colaboração de Mamadú Turé e Aristides Barbosa, todos guerrilheiros do PAIGC.


Após a morte de Amilcar Cabral, foi constituida uma comissão internacional por iniciativa do Presidente da Guiné-Conakry, Sekou Tooré, que veio apurar os factos da sua morte, e os conspiradores presos e entregues ao PAIGC, que mandou fuzilar os mesmos e mais 100 conspiradores.


Cabral já tinha declarado em Argel, se um dia fosse assassinado seria provalvelmente por um homem do seu Povo.


Há quem afirme que Amilcar Cabral era um homem que procurava o diálogo para a resolução do conflito e por isso foi morto.

Nota: Todos estes dados foram pesquisados na Net.

Até breve

Mário Pinto

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

AEROGRAMAS


Caros camaradas


Lembram-se sertamente desta missiva que era posta ao nosso dispor pelo Movimento Nacional Feminino.


Eram as cartas que nós utilizávamos para comunicar com a nossa família, amigos e namoradas. Ao qual chamávamos Bate Estradas.


Quantos de nós não utilizaram este meio de comunicação, um pedaço de papel amarelo desdobravel onde escreviamos as nossas aventuras e desventuras.


Quantas vezes não esperámos ansiosos a resposta do seu envio.


Foi com este meio de comunicação que nós vivemos o nosso periodo de Guerra e graças a ele lá fomos dando notícias.


Como já não tenho nenhum Bate Estrada para vos enviar, aqui deixo um,



Até breve



Mário Pinto