segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SOLDADO LAMPREIA

Caros camaradas

Manuel dos Santos Lampreia de seu nome, Alentejano natural de Beja, foi integrado na Cart. 2519, depois de ter feito a recruta no R.I.2.

Pertenceu ao 4.º Grupo de Combate, onde notabilizou como portador da metralhadora HK 21 e entrou em quase todas as operações dos Morcegos.

Em Mampatá tinha as suas instalações junto às do Capitão e por isso ter fama de ser o seu guarda costas.

Presentemente vive perto de Beja e têm sido um dos principais organizadores dos nossos convivios.

Ao Lampreia, por ser um dos mitos dos COIRÕES aqui deixo esta pequena citação.

Até breve

Mário Pinto

O MASSACRE EM CHÃO MANJACO


Caros camaradas

Gostaria hoje de falar de um triste acontecimento no nosso tempo em Chão Manjaco, Teixeira Pinto/Canchungo, que ficou conhecido pela Morte dos três Majores.

No dia 20 de Abril de 1970, os Majores Pereira da Silva, Passos Ramos, Magalhães Osório, Alf. Mosca e mais três nativos Mamadu Lamine, Aliu Sissé e Patrão da Costa, foram mortos pelo PAIGC, quando desarmados iam ao encontro de um Grupo do IN. que tinha tido negociações com os mesmos para sua rendição.

O PAIGC, veio a saber da operação em curso, e por ordem de Luis Cabral, trocou os Bi-Grupos
mandando o Comandante André Gomes, capturar ou matar os respectivos Majores, que veio infelizmente acontecer.

Existe um relatório secreto do COMCHEFE sobre esta missão:

SECRETO

CTIG-Comando do Agrupamento Operacional

DirectivaN.º1

-Situação Geral

A defenida por Sua Exª. General Comandante-chefe na última reunião de comandos.

-Situação Particular

Os elementos do CAOP têm desenvolvido intensa acção psicológica sobre os comandos dos grupos IN no chão Manjaco o que tudo levará a crer que possa conduzir a fins positivos na sua próxima apresentação.
2.- MISSÃO
Os Exmos. Majores CEM Passos Ramos, Pereira da Silva, Magalhães Osório e Alf. Joaquim Mosca, acompanhados pelos nativos Mamadu Lamine, Patrão Costa e Aliu Sissé, efectuam na Estrada Pelundo-Jolmete uma reunião com chefes do grupo IN do chão Manjaco em cumprimento da ordem verbal superiormente recebida.

Duração provável da Missão das 12h00 às 21h00 de 20 Abril de 1970
Quartel em Teixeira Pinto, 19 de Abril de 1970

O Comandante de Inf.ª

Romão Loureiro

Ten Cor.

Nota: estes dados foram gentilmente cedidos por Luis Graça, Camaradas da Guiné

Até breve
Mário Pinto

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

FUTEBOL EM MAMPATÁ


Caros camaradas


Quem não se lembra daqueles maravilhosos chutos na bola que nós dávamos em Mampatá, num campo inregular a que chamávamos Futebol.

Naquele espaço que chamávamos campo de futebol, que ficava á entrada da Tabanca, do lado de Al.Formosa na estrada que ia para Buba, realizaram-se os célebres jogos entre equipas Norte e Sul.

Tinhamos alguns bons jogadores nos Morcegos, lembro-me dos Furs. Inácio, Severino e Edmundo na equipa do Sul e Fur. Ferreira na do Norte.

O Capitão Barrelas alinhava nestas jogatinas o que era aproveitado pelos Coirões, para lhe fazer alguns cumprimentos nas canelas.

Naquele tempo era nas coisas simples que nós nos divertiamos.

Aqui fica mais um registo dos COIRÕES em Mampatá.

Até breve
Mário Pinto

domingo, 23 de agosto de 2009

O SOLDADO MACHADO ( O CIGANO )

Caros camardas

Quem não se lembra do cigano, José António Pereira Machado, sold. Atir. do 1.º Grupo de Combate.

Foi um dos inconformados e controversos soldados que os Morcegos tiveram nas suas fileiras.

No mato era um bom combatente, sempre activo e combativo, demonstrava não ter medo do perigo,mas no aquartelamento era problemático e conflituoso.

A sua raça e origem não permitia a convivencia com os seus camaradas.

Por diversas veses, tememos a seu abandono, ou seja que o mesmo desertasse, mas o mesmo tornou-se sempre digno dos Coirões.

Por ser uma figura carismática da nossa Companhia, deixo aqui uma pequena citação ao Cigano.

Até breve

Mário Pinto

OPERAÇÃO "VIRAGEM"


Caros camaradas


A acção psicológica sobre o In, deu origem à operação "VIRAGEM".


Consestia básicamente em destribuição de panfletos pela mata, trilhos e estradas, convidando os seus membros a entregarem-se às NT.


Esta operação não teve resultados práticos, apesar de termos insistentemente lançado os mesmos sobre o corredor de MISSIRÃ entre UANE e SARA DIBANE.

A acção psicológica, foi uma das armas mais usadas sobre a população e o IN, mas sem resultados de grande monta.
O IN, tambem fazia a sua acção psicológica pela Rádio Conakry ou distibuindo panfletos pelo mesmo local das NT.

Nota: estes dados foram retirados da Histórta da Unidade

Até breve
Mário Pinto

sábado, 22 de agosto de 2009

MALAGUETA MAN


Caros camaradas

Malagueta Man, era o comandante do PAIGC, que operava na nossa ZA, com 3 Bi-Grupos.

Tinha como missão, dificultar a construção da nova estrada BUBA-Al.FORMOSA. Manter aberto o corredor de MISSIRÃ e Minar e Emboscar as nossas colunas de abastecimento.

Foi este o In. que nós combatemos durante o tempo que estivemos em Mampatá.

Este comandante do PAIGC, era homem de confiança de Nino Vieira, responsável pelo sector Sul.

Tinham como base SALACAUR e daí partia para as suas missões.

Quando da construção da estrada nova Buba-Al. Formosa, foi o principal opositor das NT, com os seus Bi-grupos, emboscou a coluna que pela primeira vez e única fez o trajecto pela nova estrada.

É dado como o responsável pelo grande ataque a BUBA em Outubro de 1969.

Após o fim da Guerra, Malagueta Man, foi declarado heroi da Independencia.

Nota: estes dados foram retirados da net, "PAIGC."

Até breve

Mário Pinto

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

FURRIEL LEITE

Caros camaradas

José Alberto de Oliveira Leite, Fur. Cav. com o curso de Minas e Armadilhas, meu camarada e amigo do 3.º Grupo de Combate.

Foram imensas as vezes que saimos juntos em cumprimento de missões que nos confiavam.

Foi sempre notória a sua calma e interesse pela fauna Guineense. Sempre atento ás aves e outra bicharada que nos rodeava nas nossas deslocações.

Era bom sinal, mau era o silencio e a auxencia das mesmas na Mata, sinal de presença humana na ZA.

O Furriel Leite já naquela altura dava sinais de Professor o que mais tarde veio a concretizar-se.

Actualmente vive em Viana do Castelo, já alguns convivios que não temos o prazer da sua presença, esperamos por ti no próximo camarada.

Até breve

Mário Pinto

O NOSSO BAPTISMO DE FOGO


Caros camaradas


Desembarcámos em Buba, depois de uma viagem de LDG que nos trouxe de BISSAU, pelo Rio Grande de Buba.


À nossa espera estavam os velhinhos a receber os novos Piriquitos do C.O.P.4.


Depois da respectiva praxe de recepção, fomos recebidos pelos nossos camaradas da Cart. 2414, os nossos verdadeiros instrutores nas andanças da Guerra.


Após apresentação ao comandante do Sector, o saudoso Major Carlos Fabião, recebemos ordem para seguirmos no dia seguinte para MAMPATÁ , na coluna que ia para A.FORMOSA.

Palmilhàmos o caminho a pásso de caracol sedentos de sede martirizados pelo sol e um calor insuportavel. Tinhamos passado NHALA, UHANE e perto de SARE USSO, tivemos a nossa primeira emboscada. O IN, tinha vindo saudar os novos Piras na ZA.


Flagelaram a coluna c/bazukadas de RPG2 e tiros de AK 47, nós no nosso nervoso miudinho respondemos com tiros incertos e impróprios sobre o olhar atento dos velhinhos que se iam rindo da nossa inesperiencia.


Ao chegarmos a Mampatá os nossos camaradas da CART. 2414 que nos tinham escoltado e já experientes, com muita Guerra, disseram.:


Hoje foi só a brincar o IN. só vos quiz testar, apartir de amanhã é a sério quando chegarem á estrada nova vão ver a diferença.


Tinham razão, os nossos camaradas, tudo o que veio a seguir nada foi como antes.



Nota: dados tirados da nossa História da Unidade



Até breve


Mário Pinto





quinta-feira, 20 de agosto de 2009

1.º CABO NOBRE

Caros camaradas

Carlos Manuel Nobre Pereira, 1.º Cabo atirador de Artilharia, pertencendo ao 1.º Grupo de Combate.

O Nobre era o fotógrafo dos Morcegos, a ele se devem as fotos que tirámos para a postoriedade.
Montou um laboratório rudimentar em MAMPATÁ na sua Tabanca de acolhimento, onde revelava as fotos que iamos tirando.

No mato revelou-se um bom combatente, trnsportando com a sua metralhadora HK21, a sua máquina fotográfica.

Esteve sempre com o seu Grupo de Combate nas missões mais relevantes dos Morcegos.

Foi amigo do seu amigo, e ainda hoje é figura grata nos nossos convivios.

Aqui deixo uma citação amiga mas justa ao 1.º Cabo Nobre.

Até breve

Mário Pinto

terça-feira, 18 de agosto de 2009

MEIOS DE DEFESA DE MAMPATÁ


Caros camarada

A Tabanca de MAMPATÁ, aldeia onde estancionou a nossa Cart. 2519, tinha como meios de defesa o seguinte:

Efectivos

Cart. 2519
Esq. Pel. Mort. 2138

Pel. Caç. Nat. 68
Pel. Mil. 137
Comp.ª Mil.ª 11

Armamento de Defesa:

Morteiro 81 mm
Morteiro 60 mm
Metrelhadoras Semi-Ligeiras fixas MG e Breda
Metrelhadora ligeira móvel HK 21
Basukas de alcance intermédio
várias minas A/P e Fornilhos

Despositivo:

2 fileiras circulares de arame farpado
valas de defesa em volta da Tabanca
várias seteiras (Paliçadas), em sítios estratégicos
Abrigos para a População

Plano de Auto Defesa:

A guarda da Tabanca era assegurada pela Milicia
Ficando as rondas a cargo da Cart. 2519
G. Combate emboscado fora da Tabanca para envolvimento

Tinhamos a longa distancia a protecção dos óbuses, 14
de Al FORMOSA.

Nota: estes dados foram recolhidos da nossa História da Unidade

Até breve

Mário Pinto

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

CONTRA PENETRAÇÂO


Caros camaradas

A contra penetração sobre o corredor de MISSIRÃ, foi interruptamente o nosso dia a dia.

Notícias recebidas no Comando de Batalhão Caçadores 2892, referem que o IN, tinha intenções de passar algumas entidades escoltadas por elevado número de efectivos do QUINARA e INJASSANE para UNAL. Tais notícias levaram as NT a reforçar a sua acção no "corredor" de MISSIRÃ.

No entanto apenas se veio a verificar a passagem de um Grupo IN, que veio a accionar uma mina anti-pessoal colocada pelas NT.

Muito cedo, ainda antes das NT, entrarem nas suas posições de contra penetração, o IN. passou na ZA de NORTE para SUL. Quando as NT emboscaram, já o IN tinha passado.

Vieram a accionar a mina anti-pessoal das NT. mais a SUL.

Depois de reconhecida a ZA. pelas NT. verificou-se que o IN. passou de NORTE para SUL, em vários Grupos separados, nos diversos trilhos do corredor.

Apesar do empenho das NT. não foi possivel detectar a penetração do IN.


Nota: estes dados foram retirados da História da Unidade.


Até breve

Mário Pinto

O ARREBENTA MINAS


Caros camaradas

Gostaria de falar de um camarada nosso que por ser Sold. Cond. Auto de seu nome António dos Santos Encarnação, ficou conhecido pelo Arrebenta Minas.

O Encarnação como era conhecido foi dos condutores que mais se notabilizou através das colunas de abastecimento BUBA-AL.FORMOSA, devido à sua colocação na mesma, que era sempre a primeira viatura da coluna a seguir aos picadores, daí o Arrebenta Minas.

No grande ataque a MAMPATÁ, já aqui descrito a sua acção foi proponderante, transportando os feridos na sua GMC para a enfermaria e as munições de morteiro 81mm, para o mesmo, tudo isto debaixo de fogo, o que lhe valeu ser louvado pelo Com. da Companhia.

Ao Encarnação deixo aqui esta pequena citação, em homenagem a este nosso COIRÃO.

Até breve

Mário Pinto

domingo, 16 de agosto de 2009

BOLANHAS; TRILHOS, MATAS E EMBOSCADAS


Caros camaradas

Não houve Bolanhas desde NHACOBÁ e COLIBUIA que os Morcegos não atravessassem, cansados, suados, molhados e sedentos nas suas infidáveis missões diárias.

Quantos de nós percorreram, MISSIRÃ, BAROMBOLI, IERO SALDÉ e SARA DIBANE, sâo Trilhos que pisámos diáriamente, picando, procurando minas e em patrulhamentos constantes procurando o rasto do IN.

Quantas Matas nós atravessámos, desbastámos desde UANE e SARDONHA, não houve obstáculo que nós não tivéssemos transposto.

Emboscadas quantas não sofremos e fizemos ao IN., foi a nossa principal missão fechar o corredor de MISSIRÃ.

Foi neste corredor que nós incidimos a nossa acção. Emboscávamos 24 horas neste trilho imenso tentando não deixar passar as colunas de abastecimento do IN.

Todos estes locais alguns de triste memória, foram transpóstos pelos nossos Grupos de Combate em cumprimento da sua missão.

Até breve

Mário Pinto

sábado, 15 de agosto de 2009

O PIRA


Caros camaradas

O Furriel Costa, subeijamente conhecido por todos, foi o PIRA da nossa Companhia.

Por doença que o afectou quando em Faro, no R.I.4, faziamos o I.A.O., o mesmo baixou ao HMP., só regressando á unidade alguns meses, depois de nós já estarmos em MAMPATÁ. Por isso não fez a viajem turistica a bordo do NIASSA connosco.

O PIRA não acompanhou os nossos primeiros passos na Guiné, mas ainda foi a tempo de muita
Guerra.

O Furriel Costa, pertencia ao 1.º G. Combate, calmo e sereno, que lhe valeu muitas veses resolver as disputas internas do seu Pelotão e assumir o Comando do seu Gr.Com. nas auxencias do Alf. Frade.

Hoje o PIRA vive para os lados de Coimbra, onde é presença assídua dos nossos convivios anuais,
com o bom agrado de todos.

Até breve

Mário Pinto

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A NOSSA VIAJEM TURISTICA PARA A GUINÉ


Caros camaradas

No dia 7 de Maio de 1969, a Cart. 2519 embarcou no navio NIASSA, com destino ao C.T.I.GUINÉ

A Companhia depois do desfile de despedida como era da praxe, lá embarcámos sobre os olhares apreencivos dos nossos familiares que se apinhavam no cais de Alcantara, para se despedirem.

No meio de acenos e lágrimas, o NIASSA foisse fazendo ao mar alto rumando à Guiné.

Os Oficiais e Sargentos foram alojados em camarotes e o restante pessoal desumanamente no porão do navio, como de mercadoria se tratasse.

Depressa as consequencias de tão paupérrimas instalações se fizeram sentir. Camaradas nossos engoados e desfalecidos devido ao calor que se fazia sentir nos porões.

Lembro-me que durante a viajem estando de Sargento de Dia à Companhia, um camarada nosso vir-me chamar dizendo que havia pessoal nosso a passar mal no porão.

Derigi-me ao mesmo e perante o que vi e ao cheiro nauseabundo que de lá provinha, mandei trazer para a coberta os camaradas delebitados.

Triste era a sorte de quem embarcava para a Guerra e tinha de se sugeitar a tal instalações.

Os nossos Mandas Chuva não tinham consideração nenhuma pelo pessoal.

Conseguimos sobreviver ao martírio da viajem e lá chegámos ao fim de 5 dias à foz do Geba, e quando a maré permitiu lá encostámos ao cais Pijuguiti de seu nome.

À nossa espera lá estavam o Alf. Badagola e Fur. Bernardo, que tinham ido à frente a formar a Secção de Quarteis.

Este foi o primeiro obstáculo que tivemos de ultrapassar na nossa aventura Africana.

Até breve

Mário Pinto

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

OS HEROIS MORTOS NÃO SERVEM PARA NADA

Caros camaradas

Os actos destemidos feitos pelos nossos camaradas mais afoitos, foram encarados por alguns como heroicos e louvaveis do ponto de vista militar.

Alguns de nós foram louvados e graciados com diversos prémios, já aqui recordei alguns nossos camaradas.

Fomos lutadores e nunca fugimos aos perigos que nos assolaram, tivemos baixas infelizmente, mas nunca fomos loucos.

Todos nós sentimos as balas, as roketadas e morteiradas do IN., respeitávamos a sua tenacidade e a sua agressevidade, nalguns casos tivemos receio das nossas vidas, mas medo ou pavor nunca o tivemos.

Defrontámos o nosso IN. com bravura e coragem e tivemos sempre a noção que OS HEROIS MORTOS NÃO SERVEM PARA NADA.

Obrigado Capitão Barrelas porque nos ensinaste este sábio provérbio.

Até sempre

Mário Pinto

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

PLANO DE OPERAÇÕES " ORFEU ORIENTAL"

Caros camaradas

Quando o C.O.P. 4, foi transferido de BUBA, para AL.FORMOSA, foi deleniado um plano operacional a que se chamou " ORFEU ORIENTAL ", e à CART. 2519 foi dada a seguinte missão:

CART. 2519

Ref.ª - Pel.º Caç. Nat. 68
- Pelº. Mil. 137
- Sec. Pel. Mort. 2138

1) - Impede ou no mínimo dificulta ao máximo os movimentos IN no eixo UNAL-MISSIRÃ-UANE-PORTUGAL, para o que orienta o seu esforço sobre a linha infiltração materializada sobre BARAMBOLIM-MISSIRÃ-IERO SALDÉ-SARA DIBANE-UANE- SARDONHA, ( com especial incidencia sobre esta área), com efectivos constantes.

- Reconhecimento da região, a fim de detectar novos trilhos.
- Emboscadas sobre os novos trilhos referenciados e sobre os já conhecidos bem assim como
nas regiões tradicionais de passagem do In. A fim de garantir uma continuanidade, no espaço
e no tempo, desta acção, coordena esta actividade com a C.CAÇ. 2464 de NHALA.

2)-Executa o reconhecimento da linha de infiltração UANE/BACAR IOBA e das regiões de SARE USSO E COLIBUIA, em ordem a detectar vestígios da presença do IN, ou de novos trilhos que vindos do UNAL converjam para o RIO CORUBAL e para a região de ALDEIA FORMOSA, emboscando sobre os novos trilhos referenciados.

3)-Procede à minagem e armadilhamento dos trilhos e itinerários mais utilizados pelo IN para realizar colunas de reabastecimentos que de UNAL convergem para UANE.

4)-Exerce o patrulhamento eficaz sobre a estrada BUBA-A.FORMOSA, dentro da sua ZA, com vista à detecção de novos trilhos IN e garante a liberdade de movimentos na mesma.

5)-Assegura a defesa eficiente de MAMPATÁ e a capacidade de reacção oportuna.

6)-Assegura a defesa, vigia e conquista a total colaboração sob o nosso controle e estabelece um eficiente sistema de informação que lhe pirmita um conhecimento completo das actividades IN na sua ZA.

7)-Prevê a actuação dos seus Grupos de Combate em qualquer ponto da ZA do C.A.P. 4.


HIDROGRAFIA DO TERRENO

A ZA é atravessada pelos Rios CORUBAL que faz limite Norte e seus afluentes UANEUOL e BUNISSÃ. Ficam do lado direito da ZA atravessada pela estrada A.FORMOSA-BUBA.
A ZA do lado esquerdo da estrada BUBA-A.FORMOSA é atravessada pelos Rios HABI e BERENHAGE.
Com excepção do Rio Corubal, estes Rios são pouco caudalosos e alguns chegam a secar na época de seca. São alimentados pelas chuvas e suas nascentes são bolanhas. Sendo o solo baixo e pouco permeável, apresenta na época das chuvas grandes extenções alagadas, tornando extremamente dificil a progressão e as ligações rodoviárias.

Nota: todos estes dados foram retirados da História da Unidade.


Até breve

Mário Pinto

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

MORTO EM COMBATE


Caros camaradas

Vitor Manuel Parreira Caetano de seu nome, natural de Beringel, concelho de Beja, Alentejo, conhecido pelo Sold. Vitor Caetano.

Este saudoso ( Morcego) acentou praça no RI 2 Beja, onde fez a recruta. Após a mesma foi para Évora RAL 3, formar a CART 2519, com destino à Guiné.

No dia 20 de junho de 1969, quando o seu Grupo de Combate, fazia protecção à descapinagem da estrada nova BUBA-A.FORMOSA, entre SARE Usso e SARE DIBANE, uma basukada de arma RPG 2 disparada pelo IN, ceifou a vida ao Sold. Vitor Caetano, que se veio a tornar no único elemento fúnebre da nossa Companhia.

O Sold. Vitor Caetano, repousa em Paz, no cemitério da sua terra Beringel, onde os seus camaradas de Armas (MORCEGOS OU COIRÕES), num dos primeiros convívios anuais em Beja,
fizeram uma romagem à sua campa.

Esta é uma singela homenagem que aqui deixo ao nosso Camarada tombado em Combate, que sempre perpétuamente viverá na nossa memória.

Descansa em PAZ, Camarada.


Até breve

Mário Pinto

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

CHERNO RACHID


Caros camaradas

Todos nós ouvimos falar, uns mais outros menos, desta figura real e preponderante no conflito da Guiné, e não só, porque o Cherno Rachide que era o chefe espiritual do Islão, tinha tambem autoridade espiritual no Senegal e Guiné Conakry.

A sua influencia era de tal modo significativa que até o General Spínola, deslocava-se à Aldeia Formosa, ( QUEBO) para falar com o mesmo, e promover com o ele o Turismo Relegioso ida a MECA.

Era aliado do Governo Portugues, mas há quem afirme que o mesmo pendia para os dois lados.

O Cherno Rachid, era de raça Futa-Fula, a mais nobre da raça Fula, que revalizavam com os Mandigas a disputa da Região.

Veio a falecer em 1973. E após asua morte o seu filho AL-HAJI AMADÚ DILA DJALÓ, passou a exercer a função de seu Pai.


Até breve


Mário Pinto

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

ALFERES FRADE

Caros camaradas

Gostaria de falar de uma das maiores figuras míticas da nossa Cart. 2519.
Alferes Mil.º de Op. Esp. Joaquim Maria de Sousa Frade, comandante do 1.º Grupo de Combate.

Segundo comandante de Companhia, e na ausencia do nosso Cap. Barrelas, assumia o Comando.

Oficial corajoso senhor de uma serenidade impressionante debaixo de fogo, nunca vi o mesmo deitado, sempre a encorajar os seus homens e indicando o caminho a seguir.

Muitos foram os contactos que o Alf. Frade se viu envolvido mais os seus homens, mas nunca se viu um desmorecimento da sua parte, pelo contrário, procurou sempre incutir em todos um espírito dinamico e a melhor maneira de combater.

Oficial respeitador e respeitado, nunca vi o mesmo chamar alguem pelo número ou alcunha para ele os soldados não tinham perdido a paternidade.

O Alf. Frade após a desmobilização seguiu a carreira Militar. Foi para Academia Militar, fez mais uma comissão em Angola como Capitão, regressou à Metropole promovido a Major, lecionou na Academia Militar e actualmente é aposentado como Ten. Coronel na Reserva.

Um abraço de Coirão para Coirão

até breve

Mário Pinto

terça-feira, 4 de agosto de 2009

E.P.A. - Vendas Novas

Caros camaradas

Gostaria de falar da Escola Prática de Artilharia, situada em Vendas Novas no Alentejo.
Foi nesta Instituição Militar que a maior parte dos nossos Furrieis fizeram a sua instrução e preparação para a arte da Guerra.

A E.P.A. era uma das instituições militares na altura que tinha a seu cargo a formação de quadros
atravez dos cursos CSM e COM, com o objectivo da sua preparação tático e militar com fim a Guerra do Ultramar.

Foi no G.I. que conheci o saudoso Maj. Pereira da Silva, que mais tarde veria a ser barbaramente assacinado na Guiné, quando se encontrava desarmado.

O Grupo de Instrução como era designado o G.I., tinha fama pela sua dureza e aplicação da disciplina militar o que levou a ficar conhecido pelo (Centro de Instrução de Comandos do Sul) e era no seu Polígno adjacente que se fazia todo o cenário de instrução de Guerrilha mais ou menos real.

Vendas Novas, terra de acolhimento de todos os instruendos, era afável para os mesmos recebendo-os no seu ceio, como filhos da terra.

A E.P.A., hoje tem a seu cargo a IB do CFO, CSE, CTP, CCO e CCOE, como também o Museu Militar de Artilharia.


Até breve

Mário Pinto

domingo, 2 de agosto de 2009

O CARA ALEGRE

Caros camaradas

Quem não se lembra desta figura tão castiça e sempre bem disposta da nossa Cart. 2519.

José Manuel Mendes de seu nome, natural de Odivelas, Ferreira do Alentejo, o CARA ALEGRE como carinhosamente era conhecido por todos os seus camaradas, assentou praça R.I. 2 Beja, e após a recruta foi para Évora, R.A.L 3, onde foi integrado na CART. 2519, 4.º Pelotão com destino á GUINÉ.

O CARA ALEGRE, era alegria do pessoal com o seu espírito bonacheirão e bem disposto sempre cantando as modas do seu Alentejo, contagiava os seus camaradas proporcionando a todos uma saudável convivência e um saudavel convivio.

O CARA ALEGRE, tinha pouca instrução escolar, fruto das vivencias do Alentejo da quela época,
o trabalho no campo sobrepunha-se às actividades escolares e o mesmo por isso só tinha a 3.ª Classe. Frequentou a Esc. Prim. de MAMPATÁ e lá como alguns camaradas nossos fez a 4.ª Classe.

Ainda me lembro do mesmo, quando pela primeira vez conseguiu ler a primeira carta enviada pelos seus Familiares, foi tal o contentamento que o CARA ALEGRE, correu a Tabanca de ponta a ponta contando tamanho feito.

O CARA ALEGRE, após a desmobilização, regressou ao seu Alentejo como a maior parte dos seus camaradas, oriundos da quela região, voltou à sua vida agricola nalgum monte Alentejano, mas nunca esqueceu a sua CART. 2519, pois era figura sempre presente alegre e bem disposta nos encontros anuais da Companhia.

O CARA ALEGRE, infelizmente já não está entre nós, já não podemos abraçá-lo nos nossos momentos de convivio, mas ele pode ter a certeza nós os COIRÕIS nunca o vamos esquecer. Descança em PAZ camarada.

Até breve

Mário Pinto

PLANO DE OPERAÇÕES " GALGOS LIGEIROS "

Caros camaradas

Quando o C.O.P. 4 sediado em Buba e comandado pelo saudoso Maj. CARLOS FABIÃO, foi desfeita a mesma foi substituida pelo COM. BAT. de CAÇ. 2892, Com. pelo Ten. COR. Agostinho FERREIRA, ( metro e meio ). A nossa Comp. ficou adida a este Batalhão.

Foi elaborado um plano de operações pelo então Comandante de Operações Maj. PEZARAT CORREIA do Batalhão Caçadores 2892, em que a missão da Cart. 2519 passou a ser a seguinte.

Plano de Operações " GALGOS LIGEIROS "

CART. 2519
Ref.
- Pel. Caç. Nat. 68
- Esq. Pel. Mort. 2138
- Pel. Mil. 137
- Comp. Mil. 11

(1) - Em conjugação com a C.CAÇ. 2614 assegura o cumprimento da missão de contrapenetração
na sua ZA.
(2) - Proponho no espaço esta acção, através da implatação de minas e armadilhas nos
trilhos mais utilizados pelas colunas de reabastecimento do In, na sua ZA.
(3) - Quando da realização de colunas, na estrada de MAMPATÁ-NHALA, assegura a sua
livre circulação na sua ZA, pesquizando o levantamento de minas implantadas pelo In e
ocupando os pontos sencíveis, tendo em especial atenção SARE USSO e o ponto sobre o
rio UANEUOL E UANE.
(4) - Patrulha e assegura diáriamente a livre circulação na estrada MAMPATÁ-A.FORMOSA.
(5) - Prevê o socorro, em tempo oportuno dos aquartelamentos de CHAMARRA e NHALA.


NOTA: Estes dados biográficos foram tirados da História da Unidade.

Até breve

Mário Pinto

sábado, 1 de agosto de 2009

O FURRIEL MILICIANO EDMUNDO


Caros camaradas

Gostaria de falar do nosso camarada e amigo Fur. Mil. Edmundo do 2.º Grupo de Combate, figura controversa da nossa Companhia.

Fur. Edmundo era natural de Lisboa, do antigo bairro da Picheleira oriundo de uma família operária e trabalhadora pois seu Pai era da CARRIS. Cresceu e aprendeu a contestar o regime vigente, como talvez nenhum de nós o pensace fruto da sua educação familiar. Por isso era contestatário permanente mas de uma alma grandiosa, ( do tipo despir a camisa para dar ao seu amigo), por o Edmundo ser o único Furriel desponível do 2.º G. Combate, eu algumas vezes nele fui integrado e vi muitas vezes o seu estado de espírito quanto ao conflito.

O Fur. Edmundo tinha sido meu contemporanio na E.P.A., e por isso conviviamos assiduamente.

Quem não se lembra dos seus versos e fados que todos nós bem ao mal cantarolá-va-mos nos nossos momentos de ócio.
"DE PICA NA MÂO LÁ VAI A MARALHA, o fado da METRALHA ou ADEUS ALDEIA, versos e fados da sua autoria, são
pecúlios que ficarão sempre na nossa memória.

Ao Edmundo um grande abraço

até breve

Mário Pinto